Sei que posso parecer repetitivo em mais um texto crítico dirigido ao nosso querido Ministro da Fazenda, o senhor Guido Mantega, mas parece-me que ele não consegue passar uma semana sem soltar uma abobrinha ou se contradizer em suas "filosofias".
Depois de defender por meses a manutenção da taxa básica de juros no atual patamar (7,25% ao ano), ontem, durante entrevista concedida para jornalistas na reunião do G-20 em Moscou, o ministro deu a entender que a única forma de conter a inflação é por meio do aumento da Selic. Ou seja, dada o atual cenário inflacionário, Mantega praticamente apontou que haverá um aumento na taxa básica ainda esse ano.
O engraçado é que esse comentário do ministro foi feito depois que o Banco Central, em sua ata, indicou que estava preocupado com o aumento do nível geral de preços e reafirmou o que todos já sabemos: o atual modelo brasileiro baseado no consumo em detrimento da oferta não está mais funcionando. Esse comunicado foi de grande relevância, já que apontou, de certa forma, que o BC deve ser independente e não irá pactuar com os planos do governo de manter uma Selic baixa em detrimento de uma piora da inflação.
Mas porque então o ministro muda de ideia dias depois da declaração do BC, contradizendo todas as suas entrevistas anteriores? Será que foi convencido por membros do governo a parar de falar asneiras e ser mais coerente em suas declarações? Acho muito difícil. O certo é que esse comportamento ambíguo só traz mais incerteza ao mercado financeiro local, que já está suficientemente abalado. Os investidores estrangeiros já não suportam tanto intervencionismo e indefinição do atual governo, o que, de certa forma, atrapalha os investimentos das empresas e o fluxo estrangeiro para o país. Esperemos que o alto escalão de Brasília se acerte e pare de atrapalhar o andamento da economia brasileira.
