quarta-feira, 10 de abril de 2013

Até quando?

O Brasil perdeu uma posição no ranking global que mede anualmente o Índice de Liberdade Econômica e passou a ocupar o 100º lugar neste ano. O País obteve 57,7 pontos e classificou-se na categoria "maioria não livre", de acordo com o estudo divulgado pelo Instituto Liberdade (IL). O levantamento mundial analisa dez questões para compor o índice como a liberdade fiscal, empresarial, trabalhista, monetária, do comércio, do investimento e a financeira, além do direito de propriedade, combate à corrupção e o tamanho do governo na economia de cada país.

Tenho certeza que esse viés protecionista brasileiro não surpreende a mais ninguém, mas ficar em 100º lugar, atrás de países como Zâmbia, Líbano, Guatemala e Paraguai é realmente uma façanha. Se serve de consolo, pelo menos ficamos na frente dos nossos vizinhos portenhos, que agora estão na rabeira do ranking (160º). 

Em recente palestra durante o Fórum da Liberdade realizado essa semana em Porto Alegre, o renomado professor de Ciência Política da Universidade de Utah, Randy Simmons, autor do clássico "Para Além da Política", concluiu sua exposição, após apresentar dados protecionistas brasileiros, com a seguinte frase: "O governo dos senhores quer realmente que vocês sejam pobres". Não consigo imaginar uma sentença que clarifique tão bem os males de uma economia fechada e protecionista. Os impostos que pagamos nesse país são absurdos e não há nem uma explicação ou motivo para eles assim o serem.

É extremamente irritante quando vemos casos como a da indústria do aço, em que sobretaxas são colocadas sobre produtos estrangeiros sob a justificativa de se proteger empregos nessas empresas. Mas proteger o que de quem? Os políticos não percebem (ou até percebem) que quem acaba pagando a conta são os consumidores, que adquirem produtos feitos de aço por um valor maior. Mas aí os socialistas dirão: "Mas e os empregos perdidos?". Sinceramente, o efeito de uma sobretaxa sobre produtos importados é tão danosa ao consumidor final que vale por milhares de empregos "salvos".

O aço brasileiro deixou a muito tempo de ser competitivo e por isso precisa de tais barreiras. Entretanto, a culpa dessa ineficiência não é só dos empresários, mas sim, novamente, do governo, que taxa a importação dos insumos para a fabricação de produtos, que mantém os impostos sobre o custo da energia elétrica nas alturas e que pouco incentiva investimentos em infraestrutura para a melhora da logística do país. É um ciclo vicioso.

Atualmente, estamos sendo bombardeados de notícias negativas sobre o Brasil. Parce que até que enfim a ficha caiu para os seres pensantes desse país (que diga-se de passagem são poucos). Os pessimistas dizem que esse é um problema da América Latina como um todo, que "é um fardo que carregaremos para sempre". Contudo, o que não veem, é que países como o Chile, em que as taxas sobre a importação de bens estão na mínima histórica, permanecem crescendo ano a ano e, mais importante, tornando o país cada vez mais igual. Protecionismo só é bom para os grandes empresários. Crescimento e desenvolvimento caminham junto é com o livre comércio!