terça-feira, 19 de março de 2013

Onda de pessimismo

Pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada hoje mostra que a avaliação do governo Dilma  subiu de 62% em dezembro para 63% nesse mês de março.   Além disso, a aprovação pessoal da presidente saltou para 79%, um recorde, até mesmo se compararmos com os índices de Lula.

Sinceramente, acredito estar vivendo em um país diferente da maioria dessas pessoas entrevistadas. Atribuir a tal governo um conceito de bom, quase ótimo é mostrar total incapacidade de perceber o que realmente está acontecendo nesse país. Chega a ser frustante.

Depois de ler de trás para frente a famosa edição da "The Economist" sobre o nosso país, ainda em 2009, fui consumido por um sentimento de profunda exaltação e otimismo, acreditando que teria chegado, enfim , a hora do grande salto do Brasil, e eu estaria vivendo tudo isso. Doce engano. Para aqueles que acompanham o mercado, me parece que podemos relacionar aquele momento a quando o nosso país recebeu "investment grade", em que occorreu um rally de alta no índice Bovespa para depois ele mergulhar na crise e no marasmo em que se encontra até hoje. Depois daquela capa, parece que tudo se perdeu, de uma hora para outra. Mas será?

É inegável que o Brasil cresceu muito entre 2009 e 2010, se recuperando bem da crise subprime. Mas me parece que isso se deveu muito mais a um cenário extremamente favorável ao país do que decisões acertadas de Lula. O boom no preço das commodities e uma China cada vez mais sedenta por consumo foram muito benéficos aos canarinhos, o que permitiu ao governo Lula  lançar  seus ineficientes programas de distribuição de renda  e ganhar o apoio popular. Mas os tempos mudaram e torna-se cada vez mais necessária a alteração do modelo de crescimento brasileiro.

É óbvio que a população mais pobre acredita que o país está melhor, afinal, a eles são fornecidos "Bolsas-tudo"e o salário mínimo também aumentou. Entretanto, essas são melhoras enganadoras, que parecem elevar o padrão do país no curto prazo em detrimento de um desenvolvimento maior no longo prazo. Não esqueçam que Hugo Chávez foi eleito democraticamente por várias vezes, justamente por contar com o apoio popular. E não preciso nem comentar a real situação da Venezuela.

Assim, nada me faz crer que essa situação vai mudar. Tudo indica que em 2014, a eleição será facilmente vencida pelo atual governo. Mas e a oposição? Olha, depois de ver a declaração do provável candidato Aécio Neves de que a reestatização da Petrobras é a melhor solução para os problemas enfrentados pela companhia, confesso a vocês que me desiludi totalmente. Infelizmente, parece que seremos sempre o país do futuro.

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