quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Corinthians: mais um "campeão" nacional?

Desde que assumiu o governo, mais claramente no segundo mandato de Lula, o PT vem beneficiando algumas grandes empresas brasileiras na tentativa de formar "campeões nacionais" em diferentes setores da economia. Tais empresas são auxiliadas de diversas formas, que variam desde a participação do BNDES no seu capital até a presença do governo em algumas negociações estratégicas sempre com o intuito de beneficiar suas contempladas. O caso mais visível dessa estratégia petista é a JBS, ou a "Boibrás", como sabiamente a denominou o economista Rodrigo Constantino, mas isso é assunto suficiente para uma próxima postagem. 

Ok, sei que pode ser teoria da conspiração, mas o fato é que os recentes acontecimentos envolvendo o Corinthians indicam que esse clube vem recebendo mais que uma pequena ajudinha do governo. A começar pela doação do Itaquerão, estádio que está em construção para a Copa de 2014 e custará aos cofres públicos quase R$ 1 bilhão e que, após o evento, será doado ao Corinthians. Veja bem: "doado" com o dinheiro do contribuinte brasileiro.  O que dizer então do patrocínio da Caixa Econômica Federal de R$ 50 milhões anuais celebrado no mês passado com esse clube? O banco é estatal e, por assim o ser, deveria, se desejasse patrocinar o futebol brasileiro, escolher ao menos todos os clubes da Série A do campeonato para patrocinar. E por fim, notícia do Valor de hoje, aponta que algumas obras de infraestrutura da Copa foram canceladas e outras adicionadas e, por total coincidência, uma obra incluída é justamente no entorno do Itaquerão, orçada  em R$ 317 milhões e sob o pressuposto de melhorar a infraestrutura. É claro que é preciso que isso seja feito, mas porque não o fazem também nas outras cidades sede da Copa?

Repito, não é minha vontade colocar em dúvida a instituição Corinthians e seus últimos títulos conquistados. Mas é no mínimo estranho os últimos acontecimentos, ainda mais levando em conta que o ex-presidente, mas ainda muito influente Lula é corinthiano declarado. Torço para que esses fatos sejam apenas coincidência, pois, se não o forem, o intervencionismo estatal e o capitalismo de compadres pode estar acabando com a "livre concorrência"nos gramados. Atentemos.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Dica de Leitura: "Privatize Já" de Rodrigo Constantino

Destruição do patrimônio público? Recursos estratégicos dos brasileiros na mão de empresas privadas com foco apenas no interesse próprio? Neoliberalismo imperialista? Essas foram algumas das frases mais proferidas pela esquerda brasileira durante o processo de privatização de algumas estatais na década de 90 e que mancharam a opinião pública acerca do tema. Aliás, privatização hoje virou um palavrão, evitado até por aqueles que a defendem. Mas será que essa venda das empresas estatais é realmente ruim para a população de um país?

O economista Rodrigo Constantino nesse excelente livro nos mostra que não. Na verdade, a privatização de algumas estatais durante o governo FHC  foi muito benéfica e só contribuiu para melhorar a situação fiscal brasileira. O que falar da Vale e Embraer que, após a privatização, apresentaram taxas de crescimento expressivamente maiores e viraram cases de sucesso no mundo todo, gerando mais empregos e pagando mais impostos? E quanto à privatização do sistema Telebrás que enfim trouxe acesso ao telefone fixo e móvel a milhões de brasileiros? Aqueles que viveram antes desse movimento sabiam da dificuldade financeira de se ter um telefone em casa, que, às vezes, era até declarado no imposto de renda como patrimônio, coisa impensável nos dias de hoje.

O fato é que a privatização é sim uma saída eficiente para o desenvolvimento de um país. As estatais são, na grande maioria das vezes, empresas geridas de maneira ineficiente por políticos que focam apenas os resultados de curto prazo e que utilizam sua posição para a troca de favores e corrupção, como os casos relatados na mídia quase diariamente. É claro que existem pessoas com boa intenção nos quadros dessas estatais, mas é inegável afirmar que existe um grande incentivo para elas realizarem o seu trabalho sem muitos esforços. Isso ocorre porque homem é individualista por natureza e cuida melhor do que é patrimônio seu, ou seja, nos dedicamos mais quando o assunto envolve nosso patrimônio do que quando é relacionado ao dinheiro de terceiros. 

A saída, portanto, é a privatização dessas estatais, para que possam concorrer em um ambiente de livre mercado, oferecendo sempre os melhores serviços e buscando sempre o progresso através da inovação. Já é hora do governo atentar para a concessão  dos nossos aeroportos, portos, ferrovias e rodovias, já que a experiência nos mostra que a privatização desses locais traz melhores resultados e contribui para a melhora da tão contestada infraestrutura do Brasil.  Enfim, o livro "Privatize Já" é um excelente fonte  para acompanharmos e atentarmos sobre "o que não se vê". Vale a leitura!




sábado, 1 de dezembro de 2012

Mantega e o "Pibinho"

Depois de classificar como "piada" a previsão de alguns economistas de que o PIB desse ano dificilmente passaria dos 1,5%, o ministro Guido Mantega teve que procurar explicações para o fraco crescimento da economia no terceiro trimestre divulgado ontem. Depois de o IBGE anunciar que o Brasil cresceu irrisórios 0,6% no trimestre, o ministro deve se contentar se atingirmos expansão de 1% em 2012.

Como desculpas e explicações parecem ser o forte do senhor Mantega, ele afirmou que está satisfeito com a "reação"da economia e espera crescimento de 4% em 2013. Mas espera aí: 4% não foi o crescimento previsto para 2012 pelo ministro no final do ano passado? É, parece que sim. Mas então o que aconteceu e vem acontecendo de errado?

A principal explicação do governo é a desaceleração dos mercados globais influenciados pela crise da dívida dos países europeus somada a uma lenta recuperação dos Estados Unidos. Mas será que só isso é responsável por esse desempenho pífio da economia brasileira? Por que então economias emergentes como Peru, México e Chile estão crescendo mais? É, parece que a explicação vai mais além. Abrindo o resultado do PIB pelas contas que o compõe, nota-se que esse fraca aceleração foi puxada novamente pelo consumo das famílias, que mostrou expansão de 0,9%. E o investimento? Ah, esse apresentou contração de 2% no trimestre, a quinta queda consecutiva.

Mas então vem a pergunta: não está na hora do nosso governo alterar o padrão de crescimento dos últimos 10 anos baseado exclusivamente no consumo das famílias? É claro que sim. O Brasil não pode mais suportar taxas baixas de investimento, que hoje rondam a casa dos 18% do PIB. Precisa-se atentar para o lado da oferta, buscando-se sanar gargalos de infraestrutura e aumentar a produtividade dos fatores de produção, que vem caindo nos últimos anos.

A fase da bonança com a alta dos preços das commodities e que beneficiou e muito os oito anos do nosso sortudo companheiro Lula no poder acabaram. Novas reformas estruturais precisam ser feitas para sustentar o crescimento brasileiro no longo prazo e aumentar nosso PIB potencial. Não se pode permitir que o governo  lance  medidas de estímulo de curto prazo que só trarão consequências desastrosas, como  o fantasma da inflação. O tempo de mudança é agora. Não deixemos o trem partir mais uma vez sem o "Brasil do futuro"a bordo.