sábado, 1 de dezembro de 2012

Mantega e o "Pibinho"

Depois de classificar como "piada" a previsão de alguns economistas de que o PIB desse ano dificilmente passaria dos 1,5%, o ministro Guido Mantega teve que procurar explicações para o fraco crescimento da economia no terceiro trimestre divulgado ontem. Depois de o IBGE anunciar que o Brasil cresceu irrisórios 0,6% no trimestre, o ministro deve se contentar se atingirmos expansão de 1% em 2012.

Como desculpas e explicações parecem ser o forte do senhor Mantega, ele afirmou que está satisfeito com a "reação"da economia e espera crescimento de 4% em 2013. Mas espera aí: 4% não foi o crescimento previsto para 2012 pelo ministro no final do ano passado? É, parece que sim. Mas então o que aconteceu e vem acontecendo de errado?

A principal explicação do governo é a desaceleração dos mercados globais influenciados pela crise da dívida dos países europeus somada a uma lenta recuperação dos Estados Unidos. Mas será que só isso é responsável por esse desempenho pífio da economia brasileira? Por que então economias emergentes como Peru, México e Chile estão crescendo mais? É, parece que a explicação vai mais além. Abrindo o resultado do PIB pelas contas que o compõe, nota-se que esse fraca aceleração foi puxada novamente pelo consumo das famílias, que mostrou expansão de 0,9%. E o investimento? Ah, esse apresentou contração de 2% no trimestre, a quinta queda consecutiva.

Mas então vem a pergunta: não está na hora do nosso governo alterar o padrão de crescimento dos últimos 10 anos baseado exclusivamente no consumo das famílias? É claro que sim. O Brasil não pode mais suportar taxas baixas de investimento, que hoje rondam a casa dos 18% do PIB. Precisa-se atentar para o lado da oferta, buscando-se sanar gargalos de infraestrutura e aumentar a produtividade dos fatores de produção, que vem caindo nos últimos anos.

A fase da bonança com a alta dos preços das commodities e que beneficiou e muito os oito anos do nosso sortudo companheiro Lula no poder acabaram. Novas reformas estruturais precisam ser feitas para sustentar o crescimento brasileiro no longo prazo e aumentar nosso PIB potencial. Não se pode permitir que o governo  lance  medidas de estímulo de curto prazo que só trarão consequências desastrosas, como  o fantasma da inflação. O tempo de mudança é agora. Não deixemos o trem partir mais uma vez sem o "Brasil do futuro"a bordo.






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